26 de abril de 2019


No dia 25 de abril de 2019, o Centro de Referência em Direitos Humanos - CRDH realizou o evento Café com Direitos “Terra, Cultura e Resistencia: Povos Indígenas e Quilombolas”, tendo como convidados Dr. Silvio Jardim, representante governamental do Conselho Estadual dos Povos Indígenas/RS, Vereadora em Porto Alegre/RS, Karen Santos, representando a Frente Quilombola/RS e André Benites, cacique Mbya-Guarani em Maquiné/RS.
Iniciando a tarde, o Dr. Silvio abordou as lutas dos movimentos sociais por igualde de direitos, denunciando o mito da igualdade racial no Brasil, que impede avanços no tema. Lembrou do genocídio dos povos indígenas que foram reduzidos a menos de 3% de sua população originária. Citou que, mesmo assim, ainda há grande diversidade de culturas indígenas no país, existindo cerca de 274 idiomas diferentes.
André, Cacique Mbya-Guarani, referiu que não houve “descobrimento” do Brasil, mas sim invasão e genocídio. Disse que a luta pela cultura e a vida dos indígenas é uma luta universal, pela preservação da natureza e da terra. Apontou as constantes violações de direitos sofridas pelos povos indígenas, citando uma comunidade que habita há 40 anos a margem de uma rodovia em Capivari do Sul/RS, sem ter seu direito a terra reconhecido até hoje. Aduziu a importância de que os costumes indígenas sejam respeitados e preservados. Assim, disse que sua comunidade fundou uma escola autônoma para educar suas crianças e jovens conforme a cultura guarani, o que não é bem compreendido pelos órgãos estatais.
Karen Santos lembrou da formação da Frente Quilombola/RS e a luta pelas ações afirmativas nas Universidades. Apontou a importância dos quilombos urbanos em Porto Alegre como pontos de cultura negra e resistência na cidade. Aduziu as diversas dificuldades enfrentadas pelos quilombos, desde a preservação de suas terras frente a especulação imobiliária, ações de reintegração de posse, até problemas mais básicos de manutenção dos espaços.  
As falas demonstraram que, no Brasil, a luta dos povos indígenas e quilombolas pela afirmação de sua cultura e pela posse de suas terras, após séculos de genocídio, é permanente. A tarde foi extremamente proveitosa para se pensar sobre estratégias de luta e resistência para a garantia dos direitos destas populações, sempre partindo da escuta dos principais envolvidos para que ações possam ser feitas. Nada sobre nós, sem nós!




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