29 de dezembro de 2014

II Edição da Feira de Natal da Economia Solidaria



A II Edição da Feira de Natal da Economia Solidaria do Litoral vai até o dia 31 de dezembro, em Torres/RS. O funcionamento da feira é das 15h às 23:30h. No ano passado a feira aconteceu em Imbé, com o apoio da Prefeitura do Município. A ideia é poder envolver o maior número de parceiros, divulgando o trabalho dos grupos econômicos solidários e apresentando para a sociedade que outro mundo é possível.

As trabalhadoras e os trabalhadores dos empreendimentos econômicos solidários demonstram empenho para a abertura da temporada, que dará continuidade a partir de janeiro com a Expo Solidária, uma iniciativa dos empreendimentos e parceiros da Reesol (Rede de Empreendimentos Econômicos Solidários).

A Feira de Natal da Economia Solidária contou com o apoio da  APL Sítio das Torres, Reesol, AVESOL,  SESAMPE e Prefeitura Municipal de Torres, na qual a coordenação é da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo e Diretoria de Economia Solidária.

A Feira de Natal é marcante para os grupos solidários, pois além a comercialização dos produtos, é possível vivenciar  as trocas solidárias, descarte consciente de materiais eletrônicos, momentos de formação e aprendizagem, ou seja, vivenciar a Economia Solidária na prática. 

23 de dezembro de 2014


O Presidente da AVESOL - Ir. Miguel Antônio Orlandi - se reuniu no inicio do mês com o Dep. Estadual Adão Villa Verde para uma conversa a respeito do projeto de lei que trata do destino dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta do RS, protocolado por Villa no início de 2010.





"Na tarde desta quinta-feira (11), Villa recebeu o Irmão marista Miguel Orlandi, coordenador da Associação do Voluntariado e da Solidariedade (Avesol), e Leonel Carvalho, da ADS/CUT. Na reunião, que ocorreu no gabinete parlamentar, no 10º andar da Assembleia Legislativa, falaram sobre Projeto de Lei que trata do destino dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta do RS, protocolado por Villa no início de 2010 e que ainda tramita no Legislativo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Para Villa, a grande tarefa da humanidade nos dias atuais é incidir cada vez mais no processo de transformar objetos materiais usados em novos produtos para o consumo. “Reciclar significa garantir condições favoráveis para o futuro do planeta”, acentua ele, observando que, nas últimas décadas, a produção de embalagens e produtos descartáveis aumentou significativamente, assim como a produção de lixo. Segundo o parlamentar, o Poder Público está inserido neste quadro e suas estruturas são responsáveis por uma parcela significativa desta produção. “Sociedade tem cobrado dos governos e empresas posturas responsáveis. Atividades como campanhas de coleta seletiva de lixo e reciclagem de alumínio e papel. Incentivar os processos de reciclagem significa, além de preservar o meio ambiente, gerar riquezas. Muitas indústrias estão reciclando materiais como uma forma de reduzir os custos de produção”, destaca o deputado.

Miguel e Leonel defendem que o projeto seja votado o mais urgente possível para que seja realizada a implantação de um sistema permanente de coleta seletiva de materiais recicláveis, com destinação certa para os catadores."

16 de dezembro de 2014



A AVESOL deseja que todos os seus parceiros tenham um ótimo final de ano, e que a celebração do Natal seja também um momento reflexivo. Momento este, que servirá para avaliarmos o nosso papel enquanto sujeitos transformadores e lutadores, e que não desistiremos desse trabalho que é fazer um futuro melhor para todos nós.

Feliz Natal e muitas alegrias nesse próximo Ano.


12 de dezembro de 2014




Acontecerá entre os dias 12 e 20 de dezembro, na Praça  Getúlio Vargas em Torres, a II edição da Feira de Natal. É uma parceria entre AVESOL, Prefeitura de Torres e SESAMPE/DIFESOL. O evento contará com a participação de empreendimentos econômicos solidários de artesanato, vestuário, decoração, como também contará com a espaços para mostras de poesias e coleta de lixo eletrônico. A abertura oficial da Feira de Natal será no dia 16 de dezembro às 18 horas. Estão todos convidados a prestigiar a Feira de Natal, que será a primeira Feira da temporada de verão 2015, não percam!

Promovendo o direito de produzir e viver de forma sustentável!

10 de dezembro de 2014






A Comissão Eleitoral foi eleita em plenária do Fórum DCA em setembro do corrente ano, a fim de planejar e organizar as eleições das Entidades para o Biênio 2015/2017 do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Nesta plenária foram eleitos: O Srº Gilmar Ost representante do Instituto Recriar, o Srº Rodrigo Gonzales do MDCA, o Srº Lino Morsch da Casa de Nazaré, a Sr.ª Rosana Vollmer representante da AVESOL, e a Sr.ª Desire da representante Entidade Barbara Maix.
Esta equipe, após eleita, se comprometeu pela efetivação, transparência e a legitimidade no processo Eleitoral, criando regras e normas através de um Regimento Eleitoral. Trabalhou-se para a concretização de um curso de capacitação para cada representante das entidades que viessem a se candidatar. Foram abordadas questões básicas como o papel do Conselheiro, o funcionamento e a operacionalidade do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e integração com os diversos atores sociais da Rede de Proteção, entre esses, o Conselho Tutelar.

Percebemos neste processo de construção do Regimento, uma aceitação e participação muito grande por parte dos participantes do fórum, todos contribuíram e favoreceram para que tivéssemos um processo eleitoral democratizado e transparente, a fim de que fossem eleitas Entidades comprometidas com a Defesa, Promoção e Proteção e, para a concretização dos direitos das Criança e Adolescente inseridas em nosso Município. Sendo assim, foram eleitas as Entidades abaixo descritas. Parabéns a todos!!!





                  O dia 10 de dezembro é o dia Internacional dos Direitos Humanos. A escolha deste dia não se deu ao acaso. Pois foi em um 10 de dezembro, mais precisamente em 1948, que a Organização das Nações Unidas – ONU – adotou a Declaração Universal dos Diretos Humanos[1]. Dois anos após a adoção, exatamente no mesmo dia, resolveu a ONU instituir o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
O reconhecimento de direitos universais a todos os seres humanos é um marco na história da humanidade. Uma conquista que deve ser celebrada e lembrada, mesmo que a humanidade esteja longe de efetivar todos os direitos conferidos na carta de 1948 a todos os seres humanos.
          O primeiro passo para o enfrentamento às inúmeras violações aos direitos e garantias mais básicas dos indivíduos é o reconhecimento de que todas pessoas são sujeitos de direito. O segundo passo, talvez o mais importante, é a luta para efetivação desses direitos. Tarefa mais difícil, sem dúvida, que o reconhecimento destes. 
             Contudo, o segundo passo não é possível sem o passo que antecede, isto é, não há como endereçar uma proteção mínima e igual a toda humanidade sem antes reconhecer que todas as pessoas devem ter direitos minimamente garantidos, em caráter universal.
         Garantir uma estrutura mínima de direitos comuns a enorme diversidade que atravessa a humanidade pode ser vista como um severo obstáculo. Aliás, esta grande diversidade pode servir de mote para negar a existência de direitos universais. Pois, afinal de contas, como culturas e pessoas tão diferentes necessitariam dos mesmos direitos em qualquer parte do mundo? O que pode justificar a universalidade dos direitos humanos? Simon Caney, referenciando-se em Martha Nussbaum (CANNEY, 2005. p. 37)[2], é quem oferece a melhor a justificativa. Para ele, apesar das inúmeras diferenças encontradas entre os indivíduos em qualquer parte do mundo, todos tem necessidades em comum. Afinal, seja onde for, sempre zela-se por bens como a vida, saúde corporal, integridade física, imaginação, pensamento, emoções, razão prática, afiliação (respeito e amizade), carinho para outras espécies, capacidade para o lúdico e o controle sobre o ambiente. Em suma, todas as pessoas, em todo o mundo, tem necessidades comuns, capacidades comum e fins comuns. 
         Reconhecer que somos iguais em necessidades, em última instância, é reconhecer que somos iguais em direitos.  Ainda que pareça evidente, é notório que muitos ao redor do mundo ainda não estejam convencidos disso, causando sofrimento ou legitimando práticas injustas, de violação, discriminação e opressão a outros seres humanos. Afirmar que somos iguais em direitos deve ser constantemente reiterado, lembrado, para jamais ser esquecido para que se possa evitar ou reparar injustiças. Eis a razão, portanto, para celebrar-se o dez de dezembro.




[1] Fonte: Site do Movimento Nacional de Direitos Humanos < http://www.mndh.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=291>  Acesso em 08/12/2014;

[2] CANEY, Simon. Justice beyond borders: a global political theory. Oxford, Oxford, 2005.

9 de dezembro de 2014

 
Altera a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que “dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências”, para obrigar entidades a terem, em seus quadros, pessoal capacitado para reconhecer e reportar maus-tratos de crianças e adolescentes.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, passa a vigorar acrescida dos seguintes dispositivos:
Art. 70-B.  As entidades, públicas e privadas, que atuem nas áreas a que se refere o art. 71, dentre outras, devem contar, em seus quadros, com pessoas capacitadas a reconhecer e comunicar ao Conselho Tutelar suspeitas ou casos de maus-tratos praticados contra crianças e adolescentes.
Parágrafo único.  São igualmente responsáveis pela comunicação de que trata este artigo, as pessoas encarregadas, por razão de cargo, função, ofício, ministério, profissão ou ocupação, do cuidado, assistência ou guarda de crianças e adolescentes, punível, na forma deste Estatuto, o injustificado retardamento ou omissão, culposos ou dolosos.”
Art. 94-A.  As entidades, públicas ou privadas, que abriguem ou recepcionem crianças e adolescentes, ainda que em caráter temporário, devem ter, em seus quadros, profissionais capacitados a reconhecer e reportar ao Conselho Tutelar suspeitas ou ocorrências de maus-tratos.”
“Art. 136.  .....................................................................
.............................................................................................
XII - promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de divulgação e treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e adolescentes.” (NR)
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 1o de dezembro de 2014; 193o da Independência e 126o da República.

DILMA ROUSSEFFJosé Eduardo Cardozo
Ideli Salvatti

5 de dezembro de 2014

















É com muita alegria e satisfação que estivemos comemorando e refletindo sobre nossas ações durante o ano de 2014, em um encontro no dia 04 de dezembro na CAJU ( casa da juventude marista). Embalado pelos muitos sonhos dos diferentes empreendimentos solidários, o dia seguiu suas atividades em clima de alegria, troca de experiências, com mais de 60 empreendimentos solidários que fazem parte da Rede Ideia Cultivando o Amanha

O encontro contou com a Participação do núcleo de Educação Fiscal da Receita Federal, o qual realizou durante o segundo semestre o curso de Gestão contábil para empreendimentos associativos em parceria com nossa entidade.

Nosso encontro foi enriquecido pela presença do professor de moda Henrique Leques, que apresentou em seu trabalho um estilo de vida. Henrique levou para as passarelas uma realidade conhecida por muitos de nós, conceituou de uma forma criativa a necessidade romper com uma lógica de consumo obsessiva e desnecessária.


"Registramos aqui nossa satisfação e agradecimento a todos que tiveram envolvidos na realização e participação do curso.
Agradecemos a todos que de alguma forma contribuíram para realização do encontro e que estiveram nas atividades realizadas pela AVESOL durante o ano de 2014."







Nos dias 02 e 03 de  dezembro, em Porto Alegre, ocorreu o ultimo encontro do ano da Rede de Catadores – Rede Ideia Cultivando o Amanhã, o encontro contou com a presença de 28 lideranças de catadoras e catadores das mais diversas localidades do Estado.
Concomitantemente ao encontro de catadores organizado pela AVESOL - Associação do Voluntariado e da Solidariedade - ocorria em São Paulo a 5° adição da Expo Catadora que contou com a presença dos catadores que fazem parte da Rede Ideia Cultivando o Amanha da Rede Cata POA das UT´s bases do MNCR, o que demonstrou uma organização por parte dos catadores para participar das duas atividades e contribuir com o debate sobre a organização da categoria e seus desafios para 2015.

Os conceitos de: ‘‘Tecnologia, Gestão Associativa, Logística Reversa, Sustentabilidade Coleta Solidaria”, foram os assuntos abordados em nosso encontro que resgatou o conteúdo trabalhado durante o ano nos encontros de formação e nas assessorias de capacitação com as unidades de triagem.

Privilegiamos momentos onde as UT’ puderam trocar experiências e compartilhar suas dificuldades, o que provocou um debate produtivo entre os participantes que trabalharam na construção de metas para qualificar suas atividades durante o próximo ano.

As atividades do ano de 2014 foram encerradas com avaliação positiva por parte dos catadores, que citaram seus avanços enquanto organização coletiva nas ações realizadas em Redes. A melhora significativa na gestão das unidades e o desafio de criarem um banco de dados virtual, com também, as informações que possibilitem vendas diretas a indústria.


Enquanto entidade de apoio, a Economia Solidaria segue apostando no desenvolvimento da organização de empreendimentos solidários como contraponto a acumulação desenfreada de capital por parte do agronegócio, dos bancos, das grandes corporações que contam com a conivência do Estado. Por isso, temos lado e afirmamos que assim como tivemos nos anos que se passaram, também estaremos em 2015 do lado dos Catadores, dos empreendimentos solidários rurais e urbanos, assim como do lado daqueles que defendem uma sociedade justa, fraterna e solidaria.





























A equipe do Centro de Referência em Direitos Humanos – AVESOL concluiu mais uma de suas tarefas com sucesso. Ontem, dia 04/12, aconteceu o seminário – Direito à Participação – que contou com a presença de muitas pessoas envolvidas nas lutas sociais. A atividade teve um diferencial que foi a apresentação artística do musico, poeta e compositor, Rodrigo Sabiáh, que faz parte do grupo “Mc’s Pela Paz”. A organização e mobilização contou com o apoio da AMENCAR, parceira de muitos trabalhos do CRDH.
O encontro serviu para que os movimentos sociais e as entidades que trabalham na defesa dos direitos pudessem trazer as suas demandas e compartilharem o trabalho e as lutas que os mesmos enfrentam.
Tivemos também a ilustre presença da Dep. Federal Maria do Rosário, que participou e ouviu todas as demandas apresentadas ao longo da atividade. Foi sugerido, no final, que viabilizássemos em breve um encontro que discuta a importância do cuidado, nos fórum e conselho, das crianças e adolescentes.
Esses espaços de apresentação e socialização é muito importante para que possamos avançarmos e qualificarmos o processo político democrático em nosso país.

O CRDH-AVESOL tem muita satisfação em poder criar esses espaços, e também poder contar com a presença de tantas representações importante de nossa sociedade.

4 de dezembro de 2014

 
                                   
   


Abertura da 16ª Feira Estadual de Economia Popular Solidária

Está acontecendo a 16ª Feira Estadual de Economia Popular Solidaria no largo Glênio Peres em Porto Alegre. A feira iniciou no dia 01/12 e vai até o dia 06/12. No dia 02/12 aconteceu o momento de Abertura oficial com a presença dos Empreendimentos, Entidades de apoio, Fóruns, Governo do Estado, Governo Municipal e outras autoridades.

Percebemos o quanto é empolgante e vibrante quando se fala em Economia Solidária. Todos e todas que estavam presentes na abertura destacavam o quanto é fundamental termos a Feira da EPS acontecendo no largo Glênio Peres, onde se configura como um espaço de manifestação, mobilização e celebração. Acompanhar a Feira e dizer o quanto estamos lutando para o fortalecimento da 

Economia Solidaria é o que nos motiva para continuarmos trabalhando para uma sociedade melhor.

A 16ª FEPS além de ser um espaço de comercialização, ela e também um espaço de troca de ideias, formação, convivência e solidariedade com os outros empreendimentos - fortalecendo e dividindo novos saberes. 

2 de dezembro de 2014


21 de novembro de 2014

O último encontro do Programa de Voluntariado do ano de 2014 ocorreu nesta quinta-feira, dia 20 de novembro, na PUCRS. O encontro privilegiou a partilha de experiências, a expressão dos voluntários e voluntárias que testemunharam suas vivências nas organizações sociais.

O grupo em conjunto com a equipe do Núcleo de Voluntariado AVESOL/PUCRS e AVESOL produziu um material de avaliação do ano e planejamento para 2015. 

Os sentimentos de solidariedade,  aumento na auto-confiança, conforto pessoal (sentir-se útil) e satisfação foram os pontos unânimes elencados como fortalezas adquiridas na vivência do trabalho voluntário propiciando crescimento pessoal e humano. Assim como, a alegria das pessoas ao receberem os voluntários e voluntárias nos projetos, o estímulo produzido pelas histórias de vida, os laços criados, os modelos e exemplos de vida são as experiências motivadoras e garantidoras da permanência no Programa.


O dia 20 de novembro é marcado pela morte do Zumbi dos Palmares, um lutador da liberdade. Em 1695 os traços de selvageria e de desrespeito com o povo negro tinha faces muito mais acentuadas do que hoje, e lá já estava ele, Zumbi.  Esse dia simboliza o entendimento e importância histórica que tiveram os negros na construção do Brasil. Esse povo valente e corajoso passou séculos sendo açoitado e menosprezado pelos monarcas e as elites, deixando cicatrizes enormes na face do nosso país. Reparar esse dano histórico talvez seja o primeiro passo para conseguirmos superar esses anos de sofrimento.

O legado é uma cultura repleta de elementos múltiplos, que mistura África e América, que transborda sabedoria, que se integra a natureza, que reverbera a capacidade criativa, e que por fim, não desanima apesar do sofrimento quem vem sofrendo à  séculos. Pelo contrario, é cada vez mais forte, e que aparece a cada momento que passa com uma força politica surpreendente. 
Esse dia, 20 de novembro é uma conquista que exigiu a vida de muitos lutadores, muitos jovens discriminados e mortos pela sua etnia, muitos Zumbis e muitas almas corajosas, verdadeiros guerreiros que nunca desistiram da luta e que sempre exigiram igualdade.
Viva o povo negro, via a natureza e viva a igualdade!​


O CRDH-AVESOL, junto com o CODENE, realizou uma ótima atividade no dia 20, no Largo Zumbi dos Palmares no bairro Cidade Baixa, para discutir o tema - Extermínio da Juventude. Essa atividade contou com a presença de lideranças locais como também, militantes, jovens e educadores.

19 de novembro de 2014



Prezada Voluntária!
Prezado Voluntário!

Você que vive o dia a dia do programa do voluntariado, lá no contato com as pessoas, que estão nas organizações sociais, e precisam da tua presença, da tua iniciativa, da tua criatividade, do teu afeto e carinho... receba o nosso convite para “avaliar e projetar”.
Sua experiência precisa ser partilhada para que a avaliação do programa do voluntariado, em 2014, possa ser efetiva e afetiva. E, igualmente, seu ânimo e entusiasmo serão indispensáveis para projetar as iniciativas para os próximos anos.

Não esqueça: nosso encontro está marcado para o dia 20 de novembro, às 18h, no Espaço de Convivência do prédio 22, da PUCRS.

 
Sua presença é a mais importante neste momento!





O Centro de Referência em Direitos Humanos - CRDH-AVESOL - junto com o - CODENE - convida tod@s os companheir@s para participarem do Seminário que busca discutir os crimes cometidos contra a juventude. Por isso, é de extrema importância esse momento para que possamos discutir e construirmos um futuro melhor pra os nossos jovens e crianças. O extermínio da juventude é uma conta muita cara que estamos pagando com vidas. Não podemos nos furtar desse processo, e se não nos mobilizarmos agora, talvez seja tarde demais.


Dia 20 de Novembro de 2014.
Local: largo Zumbi dos Palmares, Rua Loureiro da Silva, 1660, Cidade Baixa - Porto Alegre.
Horário: 14h às 16h30min.

Participantes da mesa:
José Fagundes (Coordenadoria da Juventude do Governo do Estado)
Prof. Paulo Gadea (Unisinos)
Malu Viana (Projeto Juventude Viva)
PJ – Pastoral da Juventude

Cristina Nascimento (Levante Popular da Juventude) 



6 de novembro de 2014

O CRDH-AVESOL junto com a Casa de Convivência Ilê Mulher tem o prazer de convidar todos os amig@s para ver a Exposição - Arte da Rua.

O resultado desse trabalho é um reflexo positivo da capacidade de transformação que podemos ter através da arte . O contado das pessoas com o lúdico desperta sensibilidade, sentimento vivenciado por qualquer um, mesmo sendo, ela ou ele, pessoas que vivem em condições de exclusão.
Nesse sentido não podemos definir uma linha conceitual para essa exposição. Simplesmente o que foi produzido diz respeito à visão crítica que essas pessoas têm das suas experiências de vida, marcada pela ingratidão que é a vida em sociedade.

A exposição é resultado da oficina oferecida pela Descentralização da Cultura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e foi idealizada e está sendo promovida pelo Centro de Referência em Direitos Humanos – AVESOL.

Abertura às 15h com a Percussão Anjos e Querubins de Pelotas.

Onde? Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Quando? Segunda feira, dia 10/11
Que horas? 15h

4 de novembro de 2014



Entre os dias 27 e 29 de outubro, ocorre o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais. Nesta terça-feira, o Papa Francisco proferiu o seu discurso aos participantes do encontro.
"Este encontro nosso – afirmou Francisco – responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja."
O discurso foi publicado no sítio da Santa Sé, 28-10-2014. A tradução é deMoisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Discurso do Santo Padre Francisco aos participantes do Encontro Mundial de Movimentos Populares
Bom dia de novo. Eu estou contente por estar no meio de vocês. Aliás, vou lhes fazer uma confidência: é a primeira vez que eu desço aqui [na Aula Velha do Sínodo], nunca tinha vindo.
Como lhes dizia, tenho muita alegria e lhes dou calorosas boas-vindas. Obrigado por terem aceitado este convite para debater tantos graves problemas sociais que afligem o mundo hoje, vocês, que sofrem em carne própria a desigualdade e a exclusão. Obrigado ao cardeal Turkson pela sua acolhida. Obrigado, Eminência, pelo seu trabalho e pelas suas palavras.
Este encontro de Movimentos Populares é um sinal, é um grande sinal: vocês vieram colocar na presença de Deus, da Igreja, dos povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela!
Não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos. Também não estão esperando de braços cruzados a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam ou, se chegam, chegam de maneira que vão em uma direção ou de anestesiar ou de domesticar. Isso é meio perigoso. Vocês sentem que os pobres já não esperam e querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer.
Solidariedade é uma palavra que nem sempre cai bem. Eu diria que, algumas vezes, a transformamos em um palavrão, não se pode dizer; mas é uma palavra muito mais do que alguns atos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade de vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas. É enfrentar os destrutivos efeitos do Império do dinheiro: os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história, e é isso que os movimentos populares fazem.
Este encontro nosso não responde a uma ideologia. Vocês não trabalham com ideias, trabalham com realidades como as que eu mencionei e muitas outras que me contaram... têm os pés no barro, e as mãos, na carne. Têm cheiro de bairro, de povo, de luta! Queremos que se ouça a sua voz, que, em geral, se escuta pouco. Talvez porque incomoda, talvez porque o seu grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudança que vocês reivindicam, mas, sem a sua presença, sem ir realmente às periferias, as boas propostas e projetos que frequentemente ouvimos nas conferências internacionais ficam no reino da ideia, é meu projeto.
Não é possível abordar o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que unicamente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos. Como é triste ver quando, por trás de supostas obras altruístas, se reduz o outro à passividade, se nega ele ou, pior, se escondem negócios e ambições pessoais: Jesus lhes chamaria de hipócritas. Como é lindo, ao contrário, quando vemos em movimento os Povos, sobretudo os seus membros mais pobres e os jovens. Então, sim, se sente o vento da promessa que aviva a esperança de um mundo melhor. Que esse vento se transforme em vendaval de esperança. Esse é o meu desejo.
Este encontro nosso responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terrateto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista.
Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho.Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja. Vou me deter um pouco sobre cada um deles, porque vocês os escolheram como tema para este encontro.
Terra. No início da criação, Deus criou o homem, guardião da sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protegê-la. Vejo que aqui há dezenas de camponeses e camponesas, e quero felicitá-los por cuidar da terra, por cultivá-la e por fazer isso em comunidade. Preocupa-me a erradicação de tantos irmãos camponeses que sobrem o desenraizamento, e não por guerras ou desastres naturais. A apropriação de terras, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos inadequados são alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal. Essa dolorosa separação, que não é só física, mas também existencial e espiritual, porque há uma relação com a terra que está pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em notória decadência e até em risco de extinção.
A outra dimensão do processo já global é a fome. Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isso é um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável. Eu sei que alguns de vocês reivindicam uma reforma agrária para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos países, e aqui cito oCompêndio da Doutrina Social da Igreja, "a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral" (CDSI, 300).
Não sou só eu que digo isso. Está no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Por favor, continuem com a luta pela dignidade da família rural, pela água, pela vida e para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra.
Em segundo lugar, teto. Eu disse e repito: uma casa para cada família. Nunca se deve esquecer de que Jesus nasceu em um estábulo porque na hospedagem não havia lugar, que a sua família teve que abandonar o seu lar e fugir para o Egito, perseguida por Herodes. Hoje há tantas famílias sem moradia, ou porque nunca a tiveram, ou porque a perderam por diferentes motivos. Família e moradia andam de mãos dadas. Mas, além disso, um teto, para que seja um lar, tem uma dimensão comunitária: e é o bairro... e é precisamente no bairro onde se começa a construir essa grande família da humanidade, a partir do mais imediato, a partir da convivência com os vizinhos.
Hoje, vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz... mas se nega o teto a milhares de vizinhos e irmãos nossos, inclusive crianças, e eles são chamados, elegantemente, de "pessoas em situação de rua". É curioso como no mundo das injustiças abundam os eufemismos. Não se dizem as palavras com a contundência, e busca-se a realidade no eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa apartada, uma pessoa que está sofrendo a miséria, a fome, é uma pessoa em situação de rua: palavra elegante, não? Vocês, busquem sempre, talvez me equivoque em algum, mas, em geral, por trás de um eufemismo há um crime.
Vivemos em cidades que constroem torres, centros comerciais, fazem negócios imobiliários... mas abandonam uma parte de si nas margens, nas periferias. Como dói escutar que os assentamentos pobres são marginalizados ou, pior, quer-se erradicá-los! São cruéis as imagens dos despejos forçados, dos tratores derrubando casinhas, imagens tão parecidas às da guerra. E isso se vê hoje.
Vocês sabem que, nos bairros populares, onde muitos de vocês vivem, subsistem valores já esquecidos nos centros enriquecidos. Os assentamentos estão abençoados com uma rica cultura popular: ali, o espaço público não é um mero lugar de trânsito, mas uma extensão do próprio lar, um lugar para gerar vínculos com os vizinhos. Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os diferentes e que fazem dessa integração um novo fator de desenvolvimento. Como são lindas as cidades que, ainda no seu desenho arquitetônico, estão cheias de espaços que conectam, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro.
Por isso, nem erradicação, nem marginalização: é preciso seguir na linha da integração urbana. Essa palavra deve substituir completamente a palavra erradicação, desde já, mas também esses projetos que pretendem envernizar os bairros populares, ajeitar as periferias e maquiar as feridas sociais, em vez de curá-las, promovendo uma integração autêntica e respeitosa. É uma espécie de direito arquitetura de maquiagem, não? E vai por esse lado. Sigamos trabalhando para que todas as famílias tenham uma moradia e para que todos os bairros tenham uma infraestrutura adequada (esgoto, luz, gás, asfalto e continuo: escolas, hospitais ou salas de primeiros socorros, clube de esportes e todas as coisas que criam vínculos e que unem, acesso à saúde – já disse – e à educação e à segurança.
Terceiro, trabalho. Não existe pior pobreza material – urge-me enfatizar isto –, não existe pior pobreza material do que a que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos trabalhistas não são inevitáveis, são o resultado de uma prévia opção social, de um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem, se o lucro é econômico, sobre a humanidade ou sobre o homem, são efeitos de uma cultura do descarte que considera o ser humano em si mesmo como um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado fora.
Hoje, ao fenômeno da exploração e da opressão, soma-se uma nova dimensão, um matiz gráfico e duro da injustiça social; os que não podem ser integrados, os excluídos são resíduos, "sobrantes". Essa é a cultura do descarte, e sobre isso gostaria de ampliar algo que não tenho por escrito, mas que lembrei agora. Isso acontece quando, no centro de um sistema econômico, está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de todo sistema social ou econômico, tem que estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o denominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e vem o deus dinheiro, acontecesse essa inversão de valores.
E, para explicitar, lembro um ensinamento de cerca do ano 1200. Um rabino judeu explicava aos seus fiéis a história da torre de Babel e, então, contava como, para construir essa torre de Babel, era preciso fazer muito esforço, era preciso fazer os tijolos; para fazer os tijolos, era preciso fazer o barro e trazer a palha, e amassar o barro com a palha; depois, cortá-lo em quadrados; depois, secá-lo; depois, cozinhá-lo; e, quando já estavam cozidos e frios, subi-los, para ir construindo a torre.
Se um tijolo caía – o tijolo era muito caro –, com todo esse trabalho, se um tijolo caía, era quase uma tragédia nacional. Aquele que o deixara cair era castigado ou suspenso, ou não sei o que lhe faziam. E se um operário caía não acontecia nada. Isso é quando a pessoa está a serviço do deus dinheiro, e isso era contado por um rabino judeu no ano 1200, explicando essas coisas horríveis.
E, a respeito do descarte, também temos que estar um pouco atentos ao que acontece na nossa sociedade. Estou repetindo coisas que disse e que estão na Evangelii gaudium. Hoje em dia, descartam-se as crianças porque a taxa de natalidade em muitos países da terra diminuiu, ou se descartam as crianças porque não se ter alimentação, ou porque são mortas antes de nascerem, descarte de crianças.
Descartam-se os idosos, porque, bom, não servem, não produzem. Nem crianças nem idosos produzem. Então, sistemas mais ou menos sofisticados vão os abandonando lentamente. E agora como é necessário, nesta crise, recuperar um certo equilíbrio. Estamos assistindo a um terceiro descarte muito doloroso, o descarte dos jovens. Milhões de jovens. Eu não quero dizer o dado, porque não o sei exatamente, e a que eu li parece um pouco exagerado, mas milhões de jovens descartados do trabalho, desempregados.
Nos países da Europa – e estas são estatísticas muito claras –, aqui naItália, passou um pouquinho dos 40% de jovens desempregados. Sabem o que significa 40% de jovens? Toda uma geração, anular toda uma geração para manter o equilíbrio. Em outro país da Europa, está passando os 50% e, nesse mesmo país dos 50%, no sul são 60%. São dados claros, ou seja, do descarte. Descarte de crianças, descarte de idosos, que não produzem, e temos que sacrificar uma geração de jovens, descarte de jovens, para poder manter e reequilibrar um sistema em cujo centro está o deus dinheiro, e não a pessoa humana.
Apesar disso, a essa cultura de descarte, a essa cultura dos sobrantes, muitos de vocês, trabalhadores excluídos, sobrantes para esse sistema, foram inventando o seu próprio trabalho com tudo aquilo que parecia não poder dar mais de si mesmo... mas vocês, com a sua artesanalidade que Deus lhes deu, com a sua busca, com a sua solidariedade, com o seu trabalho comunitário, com a sua economia popular, conseguiram e estão conseguindo... E, deixem-me dizer isto, isso, além de trabalho, é poesia. Obrigado.
Desde já, todo trabalhador, esteja ou não no sistema formal do trabalho assalariado, tem direito a uma remuneração digna, à segurança social e a uma cobertura de aposentadoria. Aqui há papeleiros, recicladores, vendedores ambulantes, costureiros, artesãos, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, operários de empresas recuperadas, todos os tipos de cooperativados e trabalhadores de ofícios populares que estão excluídos dos direitos trabalhistas, aos quais é negada a possibilidade de se sindicalizar, que não têm uma renda adequada e estável. Hoje, quero unir a minha voz à sua e acompanhá-los na sua luta.
Neste encontro, também falaram da Paz e da Ecologia. É lógico: não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruímos o planeta. São temas tão importantes que os Povos e suas organizações de base não podem deixar de debater. Não podem deixar só nas mãos dos dirigentes políticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade têm que levantar a voz em defesa desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. A irmã mãe Terra, como chamava São Francisco de Assis.
Há pouco tempo, eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em cotas. Há sistemas econômicos que, para sobreviver, devem fazer a guerra. Então, fabricam e vendem armas e, com isso, os balanços das economia que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente, ficam saneados. E não se pensa nas crianças famintas nos campos de refugiados, não se pensa nos deslocamentos forçados, não se pensa nas moradias destruídas, não se pensa, desde já, em tantas vidas ceifadas. Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor. Hoje, queridos irmãos e irmãs, se levanta em todas as partes da terra, em todos os povos, em cada coração e nos movimentos populares, o grito da paz: nunca mais a guerra!
Um sistema econômico centrado no deus dinheiro também precisa saquear a natureza, saquear a natureza, para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente. As mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem são vocês, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias precárias, ou que são tão vulneráveis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo.
Irmãos e irmãs, a criação não é uma propriedade da qual podemos dispor ao nosso gosto; muito menos é uma propriedade só de alguns, de poucos: a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão. Talvez vocês saibam que eu estou preparando uma encíclica sobre Ecologia: tenham a certeza de que as suas preocupações estarão presentes nela. Agradeço-lhes, aproveito para lhes agradecer, pela carta que os integrantes da Via Campesina, da Federação dos Papeleirose tantos outros irmãos me fizeram chegar sobre o assunto.
Falamos da terra, de trabalho, de teto... falamos de trabalhar pela paz e cuidar da natureza... Mas por que, em vez disso, nos acostumamos a ver como se destrói o trabalho digno, se despejam tantas famílias, se expulsam os camponeses, se faz a guerra e se abusa da natureza? Porque, nesse sistema, tirou-se o homem, a pessoa humana, do centro, e substituiu-se por outra coisa. Porque se presta um culto idólatra ao dinheiro. Porque se globalizou a indiferença! Se globalizou a indiferença. O que me importa o que acontece com os outros, desde que eu defenda o que é meu? Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; tornou-se um órfão, porque deixou Deus de lado.
Alguns de vocês expressaram: esse sistema não se aguenta mais. Temos que mudá-lo, temos que voltar a levar a dignidade humana para o centro, e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos. É preciso fazer isso com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência. E entre todos, enfrentando os conflitos sem ficar presos neles, buscando sempre resolver as tensões para alcançar um plano superior de unidade, de paz e de justiça.
Os cristãos têm algo muito lindo, um guia de ação, um programa, poderíamos dizer, revolucionário. Recomendo-lhes vivamente que o leiam, que leiam as Bem-aventuranças que estão no capítulo 5 de São Mateus e 6 de São Lucas (cfr. Mt 5, 3; e Lc 6, 20) e que leiam a passagem deMateus 25. Eu disse isso aos jovens no Rio de Janeiro. Com essas duas coisas, vocês têm o programa de ação.
Sei que entre vocês há pessoas de distintas religiões, ofícios, ideias, culturas, países, continentes. Hoje, estão praticando aqui a cultura do encontro, tão diferente da xenofobia, da discriminação e da intolerância que vemos tantas vezes. Entre os excluídos, dá-se esse encontro de culturas em que o conjunto não anula a particularidade, o conjunto não anula a particularidade. Por isso eu gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitas caras distintas. O poliedro reflete a confluência de todas as particularidades que, nele, conservam a originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra. Hoje, vocês também estão buscando essa síntese entre o local e o global. Sei que trabalham dia após dia no próximo, no concreto, no seu território, seu bairro, seu lugar de trabalho: convido-os também a continuarem buscando essa perspectiva mais ampla, que nossos sonhos voem alto e abranjam tudo.
Assim, parece-me importante essa proposta que alguns me compartilharam de que esses movimentos, essas experiências de solidariedade que crescem a partir de baixo, a partir do subsolo do planeta, confluam, estejam mais coordenadas, vão se encontrando, como vocês fizeram nestes dias. Atenção, nunca é bom espartilhar o movimento em estruturas rígidas. Por isso, eu disse encontra-se. Também não é bom tentar absorvê-lo, dirigi-lo ou dominá-lo; movimentos livres têm a sua dinâmica própria, mas, sim, devemos tentar caminhar juntos. Estamos neste salão, que é o salão do Sínodo velho. Agora há um novo. E sínodo significa precisamente "caminhar juntos": que esse seja um símbolo do processo que vocês começaram e estão levando adiante.
Os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores. É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação protagônica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos lógicos da democracia formal. A perspectiva de um mundo da paz e da justiça duradouras nos exige superar o assistencialismo paternalista, nos exige criar novas formas de participação que inclua os movimentos populares e anime as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com essa torrente de energia moral que surge da incorporação dos excluídos na construção do destino comum. E isso com ânimo construtivo, sem ressentimento, com amor.
Eu os acompanho de coração nesse caminho. Digamos juntos com o coração: nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá.
Queridos irmãos e irmãs: sigam com a sua luta, fazem bem a todos nós. É como uma bênção de humanidade. Deixo-lhes de recordação, de presente e com a minha bênção, alguns rosários que foram fabricados por artesãos, papeleiros e trabalhadores da economia popular da América Latina.
E nesse acompanhamento eu rezo por vocês, rezo com vocês e quero pedir ao nosso Pai Deus que os acompanhe e os abençoe, que os encha com o seu amor e os acompanhe no caminho, dando-lhes abundantemente essa força que nos mantém de pé: essa força é a esperança, a esperança que não desilude. Obrigado.

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