20 de novembro de 2020

O Centro de Referência em Direitos Humanos/AVESOL, repudia o bárbaro assassinato de João Alberto, Homem Negro, por seguranças do supermercado Carrefour em Porto Alegre/RS, justamente no mês que lembramos o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, véspera de 20 de novembro, data da morte do líder negro Zumbi dos Palmares, símbolo da luta pela libertação do povo negro da escravidão.

A violência que resultou na morte de João Alberto exemplifica o racismo institucional e estrutural presente na sociedade brasileira, pois demonstra que pessoas negras ainda são vistas com desconfiança e, sem a liberdade de poder frequentar determinados ambientes, e, especialmente de entrarem em confronto com brancos. Tudo isso é permitido se as pessoas advêm de ambientes mais empobrecidos.     

Não por acaso, as pessoas negras são as maiores vítimas da violência de Estado: nas prisões, nas ações das forças de segurança, na violência obstétrica, na falta de vagas em creches, na precarização do atendimento da rede pública de saúde. Todos estes são fatores que contribuem para que a vitimização e mortalidade da população negra seja maior do que entre a população branca.

A negligência quanto ao ensino da História da Escravidão nas escolas, o constante ataque às cotas raciais nas universidades e no serviço público, também fortalecem o racismo, incrustrado em nossa cultura, e por tantas vezes “maquiado”, sob o argumento da “democracia racial”, ou como disse e reafirmou nosso atual Vice Presidente: "No Brasil não tem racismo....", "as pessoas de cor...". Talvez ele precise ler Abdias do Nascimento, quando lembra que "o genocídio do povo negro no Brasil se deu por meio de um racismo mascarado, um processo de embranquecimento forçado.  

Chama atenção, ainda, no caso de João Alberto, a participação de um policial militar fora de serviço, agindo como segurança privado, em nítida desconformidade com a legislação vigente. Registre-se que este tipo de serviço privado, feito quase sempre por necessidade, acaba gerando uma sobrecarga mental e física, justamente sobre aqueles que devem sempre agir de “cabeça fria”.

Assim, repudia-se tão bárbaro assassinato e, todas as falas que buscam minimizar tal situação, especialmente do Sr. Mourão. Sirva esta vida para provocar profundas e reais mudanças na sociedade brasileira, despertando atitudes antirracistas concretas, com o fortalecimento das já existentes. Esta é a hora, estabelece-se aqui um marco social, são necessárias políticas e leis de transformação. Não podemos mais conviver com perdas de Vidas que são minimizadas porque a cor da pele é mais escura.  A valorização das vidas negras e a construção de uma cultura de paz são urgentes. 

Vidas Negras Importam



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