5 de junho de 2015

Em artigo publicado na ZH de ontem (26), o deputado Adão Villaverde destaca que não podemos deixar que o fundamentalismo baseado no ódio e na intolerância ocupe o lugar das legítimas tradições plurais e democráticas.

Abaixo, a íntegra do texto. 

Uma vertente para o fascismo
* Adão Villaverde
Quando se debate, em evento público, a intolerância e o ódio que salta do mundo real para disseminar-se no anonimato do mundo virtual, presume-se que todos participem com espíritos desarmados, aceitando divergências e se manifestando adequadamente.
Se tiver diferenças, que dê opinião, sem apelar à agressão e ao desrespeito aos interessados. Foi o pressuposto da oportuna iniciativa da deputada Manuela D’Àvila, na Assembleia, na semana passada, ao ouvir jornalistas e cidadãos sobre como entender o ódio e a intolerância nas redes.
Surpreendentemente, desconsiderando a legitimidade das diferenças, um grupo se esmerou em cercear opiniões e interditar a atividade, demonstrando na prática presencial o que faz nas redes, em manifestação explícita de supressão do pensamento do outro. Lamentavelmente, falta a alguns pretensos liberais de hoje, aquilo que sobrava aos de outrora. Estes trocaram a essência do liberalismo pela violência e quebra de regras mínimas de convivência.
Na democracia, não se pode tudo, muito menos negar ao outro o direito do contraditório, ainda mais com práticas fascistas e regressivas. É como se perguntava a filósofa Hannah Arendt, emOrigens do totalitarismo: “como aceitarmos o inaceitável, a inutilidade da existência e a recusa ao outro?”
Sabemos que a intolerância é vizinha do ódio e parente da violência, que ultrapassa, com perversa naturalidade, todos os limites do respeito e da aceitação dos diferentes. Deve, portanto, ser repudiada, venha de onde vier. Omitir-se ou justificá-la, assegurando-lhe impunidade, é acumpliciar-se a ela.
Expressão maior das representações políticas da sociedade, em nome do direito de opinião e das diferenças, o Parlamento não pode ser espaço para promoção dessas práticas. Devemos evitar que este fundamentalismo desprovido de conteúdo, que faz uso de métodos com opção pela violência, ocupe o lugar das legítimas tradições plurais e democráticas, tão duramente construídas nas últimas décadas, quando a Assembleia teve papel fundamental.
Ou, doravante, deixaremos caminho aberto para o interdito das sempre salutares pluralidade de ideias. Autorizaremos que se instale, em solo gaúcho, o arbítrio e a prepotência do delito de opinião, que fere as liberdades individuais e coletivas e alveja de morte o Estado democrático de direito.


* Engenheiro, professor e deputado estadual (PT-RS)

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