quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 No dia 16/12 de 2020, o Centro de Referência em Direitos Humanos-AVESOL ministrou oficina, por plataforma on-line, sobre Violências e Inquietações na Pandemia para jovens e educadoras do Projeto Pescar/RS. 

A oficina foi uma roda de conversa para que os jovens pudessem expressar as inquietações experienciadas durante este ano atípico e com inúmeros desafios para todos. Ainda, pautou-se alguns eventos recentes de violência ocorridos no Brasil e que acabam sendo fonte de angústia para os jovens. Neste sentido, a conversa iniciou com as percepções dos participantes sobre como foi a adaptação e vivência com os métodos de ensino-aprendizagem à distância, como o ensino remoto emergencial. As falas abordaram tanto a dificuldade de concentração, quanto o não acesso aos meios necessários para se aproveitar da melhor forma as aulas.  

Em seguida, o debate abordou a questão das violências, principalmente de gênero e contra as mulheres. Os relatos foram desde situações vividas com parentes próximos, como angústias sobre violências experenciadas no dia-a-dia que impedem muitas meninas de serem quem gostariam de ser ou fazerem certas atividades com liberdade na rua. Assim, foi feito um breve histórico da Lei Maria da Penha, com relatos sobre a vida desta ativista pelos direitos das mulheres, que de vítima, tornou-se referência na luta por direitos. Ainda, refletiu-se sobre a importância do consentimento em todas as relações afetivas e sexuais.  

Para ilustrar a questão da luta por direitos, os jovens assistiram trechos do documentário Em Frente da Lei tem um Guarda, produzido pela Themis Gênero, Justiça e Direitos Humanos (disponível aqui: https://bityli.com/DIm5O), no qual é relatado o processo de formação da Promotoras Legais Populares,  mulheres lideres comunitárias que são capacitadas para atuarem como promotoras de direitos das mulheres nas comunidades mais vulneráveis. 

O vídeo traz o relato de Jane Beatriz da Silva Nunes, líder comunitária da região da Cruzeiro, em Porto Alegre/RS que morreu após ação policial em sua residência em dezembro de 2020. Com isso, a conversa também foi direcionada para a violência institucional/policial e o racismo presente na sociedade.  

Os jovens fizeram alguns relatos sobre suas experiências, tendo discutido a importância da representatividade nos espaços de decisão política. Desse modo, referiu-se alguns fatos das eleições para as câmaras de vereadores do Brasil, em que houve um recorde de candidaturas negras e mulheres, e de pessoas trans. Em Belo Horizonte, a candidata e professora Duda Salabert, do PDT foi a mais votada para a Câmara Municipal com 37,6 mil votos. Por sua vez, em Porto Alegre/RS, pela primeira vez na história, 05 vereadores(as) são negros, formando uma inédita bancada negra na câmara. 

Contudo, esta representatividade gerou também algumas manifestações preconceituosas, como foi o caso da primeira vereadora negra de Joinville/SC, que sofreu ataques racistas, bem como os ataques feitos as vereadoras(os) negras(os) eleitas(os) na capital gaúcha, que sofreram ataques de um ex-candidato a prefeito.  

Por fim, o assassinato de João Alberto por seguranças do Carrefour e a morte de Jane exemplificaram como o racismo é algo pernicioso e parece ter ficado mais evidente nestes tempos pandêmicos.  

Houve intensa participação dos jovens, os quais puderam expressar suas angústias e dúvidas sobre os temas tratados e a situação atual. O desejo por mais saúde e dias melhores encerrou o encontro.  




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